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SUDESTE / SUL
32ª anos de Romaria da classe trabalhadora

 

Nossa Romaria das Trabalhadoras e dos Trabalhadores seguiu mais uma vez neste ano, como faz há 32 anos, no dia 7 de setembro. As milhares de pessoas vêm de vários locais do estado de São Paulo, do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. A Romaria sempre junta a força da religiosidade popular com as reivindicações da luta do povo. Diferentes de outras romarias, não fica apenas em realização de promessas e pedidos individuais, mas busca o milagre coletivo, a união na luta, a participação e a solidariedade. O tema da Romaria deste ano trouxe o clamor necessário: “Mãe Aparecida, a classe trabalhadora clama por direitos e justiça”.

A mística da nossa Romaria começa muitos meses antes do 7 de setembro, com quem organiza venda de passagens e mobilização de pessoas para os ônibus. Graças a isto temos muita gente nas nossas atividades, em Aparecida, que começam muito cedo. A mística de oração é a primeira atividade do dia, que traz simbologias fortes e uma animada ciranda. Isso anima o pessoal que segue em caminhada, cantando, rezando, denunciando as maldades e injustiças e anunciando as esperanças. Ao final da caminhada, chega-se à frente da Basílica de Nossa Senhora, onde acontece o Grito dos Excluídos e das Excluídas.

O Grito, desde o seu início em 1995, acontece junto com a nossa Romaria e a mística que realiza em Aparecida representa toda realidade que vivemos e os sonhos que desejamos. O tema sempre presente, A vida em primeiro lugar foi acompanhado pelo lema deste ano: Este Sistema não vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade.

Sempre após a realização do Grito dos Excluídos e das Excluídas, romeiros e romeiras da classe trabalhadora seguem para a missa na Basílica, neste ano presidida por Dom Reginaldo Andrietta, Bispo da diocese de Jales e referencial da Pastoral Operária Nacional. Nessa Missa é levada a simbologia que nos lembra sermos construtores e construtoras do Reino de Deus, conforme pedido por Jesus, que se fez carne para nos dar exemplo de que quanto mais humanos, mais podemos ser divinos, levando em conjunto a força da palavra de Deus, com as lutas do povo trabalhador.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, multidão e atividades ao ar livre


HOMILIA DA MISSA DA

 32ª. ROMARIA DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS E

DO 25º GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUÍDAS, EM APARECIDA

07 de setembro de 2019

 

Dom Reginaldo Andrietta, Bispo Diocesano de Jales

Referencial da CNBB para a Pastoral Operária Nacional

 

Queridos irmãos e irmãs.

A 32ª. Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras que se realiza, hoje, em Aparecida, e o 25º Grito dos Excluídos e Excluídas que se realiza em todo o Brasil e, também, aqui, expressam o clamor de todos os trabalhadores e trabalhadoras que amargam condições precárias de trabalho, sofrem o desemprego e tentam sobreviver, destituídos, cada vez mais, de direitos.

A independência que o Brasil celebra hoje, é, na realidade, uma farsa. O Grito do Ipiranga, feito por Dom Pedro I, foi a transferência de poder de seu pai Dom João VI para si mesmo. Tudo ficou em família. Para os pobres nada mudou. A escravidão continuou existindo. Hoje, ela tem novas formas, muito disfarçadas. Nosso sistema econômico e social continua gerando exclusões.

Por isso, dizemos, hoje, “Esse sistema não vale: lutamos por justiça, direitos e liberdade”. Esse lema do Grito dos Excluídos e Excluídas ecoa por todo o país neste 7 de setembro. A Igreja promove esse “Grito”, todos os anos, desde o ano de 1995. Essa manifestação foi decidida na 2ª. Semana Social Brasileira, promovida pela Igreja no Brasil, no ano de 1994, motivada pela Campanha da Fraternidade daquele ano, cujo tema foi Fraternidade e os Excluídos.

O lema daquela Campanha, “Eras tu, Senhor?”, corresponde ao Evangelho de Mateus, capítulo 25, no qual Jesus, ao referir-se ao juízo final, se manifesta presente nos excluídos: tive fome e vocês me deram de comer; tive sede e vocês me deram de beber; era estrangeiro e me receberam em sua casa; estava sem roupa e me vestiram; estava doente e cuidaram de mim; estava na prisão e me visitaram.

O evangelho segundo Lucas, proclamado nesta celebração está diretamente associado ao de Mateus, sobre o juízo final. Lucas mostra que os discípulos de Jesus colhiam espigas no dia de sábado para matar a fome. Os fariseus os criticam, dizendo que isso não era permitido pela lei judaica, nesse dia. Jesus rebate-os, referindo-se ao livro sagrado, por eles utilizado. Ele mostra que Davi e seus companheiros fizeram algo semelhante, num dia de sábado, porque estavam com fome.

Dessa forma, Jesus ensina que as necessidades vitais estão acima de qualquer lei. Afinal, quem tem fome não pode esperar. Leis devem existir, mas perdem o sentido se não estão a serviço da vida. Dizendo que “O Filho do Homem é Senhor do sábado”, Jesus se refere a si próprio como Senhor de tudo, superior, portanto, a qualquer lei. Notemos que ele, como Filho Deus, veio ao mundo para que todos tenham vida em abundância (cf. Jo 10,10).

Quem adere a Cristo tudo faz para que as leis estejam a serviço da vida de todos e todas. Cristo não admite direitos diferentes para uns e outros. As leis, portanto, devem estar a serviço do que é justo. Por isso, no capítulo 5 do mesmo evangelho, segundo Mateus, Jesus diz que veio a este mundo não para abolir a lei, mas para dar-lhe pleno cumprimento. São Paulo, na Carta aos Romanos 13,10 diz que a plenitude da lei é o amor. Em consequência, quando os seguidores de Cristo descobrem o sentido das leis, valorizam-nas ainda mais, lutando para que elas estejam em função de uma organização social justa e fraterna.

Ao defender a atitude dos discípulos de saciarem a fome, mesmo contra a lei, Jesus ensina a defendermos os direitos fundamentais de todos os seres humanos. No Brasil, por exemplo, que tem condições de ser o celeiro do mundo, uma grande parte da população padece necessidade até de alimentos. Neste país que é ainda a 9ª. economia do mundo, tendo sido, em anos anteriores, a 6ª. economia mundial, grande parte da população está amargando condições miseráveis de existência.

Quase duzentos anos se passaram desde o chamado Grito da Independência, em 1822. No entanto, o país está submetido ao poder econômico de grandes corporações estrangeiras. Muitas decisões governamentais estão atreladas aos interesses dos grandes bancos nacionais e internacionais.

A dívida pública com as instituições financeiras, compromete quase metade do orçamento da união. Pagá-la sem auditoria às custas da redução de investimos sociais, sobretudo na educação e na saúde, é imoral. A reforma trabalhista que prometia aumento de emprego, gerou sim pouquíssimos empregos, em condições muito mais precárias. Retornamos cada vez mais aos antigos tempos de desamparo legal dos trabalhadores e trabalhadoras, com sindicatos fragilizados, movimentos sociais reprimidos e consciências manipuladas.

Nesse contexto, como estamos nós, que seguimos a Jesus Cristo? Como estamos nós, que saímos às ruas para nos manifestar em defesa da dignidade de todas as pessoas excluídas? Como estamos nós, nesta Romaria em defesa da dignidade do povo trabalhador? Estamos atemorizados? Não! Não alimentamos medo, pois seguimos o que Paulo diz ao Colossenses na primeira leitura, proclamada nesta celebração: “é necessário que permaneçais inabaláveis e firmes na fé, sem vos afastardes da esperança que vos dá o Evangelho”.

Cristo é alimento para nossa fé. Por isso, em lugar de nos maravilharmos com paradas militares, triunfalistas, nos maravilhamos, hoje, com Cristo, que, conforme diz Paulo, sofreu a morte para nos tornar santos e irrepreensíveis, portanto, fraternos. Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em sua mensagem sobre o Dia da Pátria, como Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, refere-se à necessária corresponsabilidade patriótica de todos os brasileiros e brasileiras, enfatizando a importância do diálogo social para superar polarizações e construirmos um país mais justo e solidário, buscando o bem comum.

Que esta eucaristia nos ajude a reconstruir unidade em meio a um povo dilacerado, dividido por conflitos semeados pelos próprios detentores de poder. O que a muitos parece impossível, a Deus é possível. Reafirmemos, portanto, nossa confiança em Nosso Senhor Jesus Cristo. É ele “quem nos protege e nos ampara”, conforme diz o salmista. É ele a razão de nossa esperança. Que Nossa Senhora Aparecida interceda junto a Cristo, em favor da verdadeira justiça em nosso país e no mundo.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 
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