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 FRANCISCO: NOME SURPRESA – PE. JOSÉ OSCAR BEOZZO

O novo Papa, o primeiro de fora da Europa depois de muitos séculos, o primeiro jesuíta e o primeiro latino-americano a assumir a Cátedra de Pedro, surpreendeu o mundo com a escolha do seu nome.

A expectativa era de que, da longa série de seus 265 antecessores, ele retirasse um nome capaz de dar alguma pista sobre seu pontificado e suas prioridades.

Claro que era inteiramente livre para escolher um nome inédito, inaugurando, assim, uma nova tradição.

Mesmo o recurso a algum nome consagrado, poderia provocar surpresa. Foi o que sucedeu com o Cardeal Patriarca de Veneza, Angelo Roncalli. Até então, João era o nome de Papa, mais recorrente na história. A série foi, porém, bruscamente interrompida no século XIV com João XXII (1316-1334), um dos papas de Avinhão, em contenda com o clero e o povo de Roma. Houve ainda um João XXIII que foi antipapa e que terminou por bloquear esse nome, por cerca de 600 anos.

Roncalli ignorou, entretanto, o tabu que pairava sobre o nome de João, proclamando-se João XXIII. E o fez, fazendo pouco de todos esses antecedentes históricos. De maneira singela, mas decidida, proclamou, diante dos cardeais que o haviam eleito papa, sua decisão:

 Nós,

Bergoglio foi além. Ninguém havia ousado, por causa talvez da radicalidade de seu testemunho de pobreza, escolher o nome do santo mais querido no mundo todo: Francisco de Assis. Venerado entre os católicos, mas também por cristãos de outras Igrejas, Francisco de Assis é respeitado por judeus e muçulmanos. Pessoas que se declaram sem religião, não deixam de admirá-lo.

Em sua honra, a pedido do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitscheck, o marxista e membro do Partido Comunista, Oscar Niemeyer brindou o país com uma de suas mais belas joias arquitetônicas: a enternecedora Igrejinha de São Francisco, que parece ondular à beira do lago da Pampulha.

Ao escolher Francisco, como seu nome para bispo de Roma, Bergoglio pensou certamente na herança, não apenas de um, mas de dois Franciscos: o poverello de Assis (1182-1226) e São Francisco Xavier (1506-1552).

Francisco Xavier, o grande missionário jesuíta do século XVI na Índia, China e Japão,  pode significar que o olhar do novo Papa vai estar voltado para as vozes, gemidos e esperanças que sobem da Ásia, onde habita 60% da humanidade.

Com ou sem intenção explícita, o estrangeiro Bergoglio ganhou imediatamente o coração dos italianos, ao se apresentar como Francisco, o nome do santo padroeiro da Itália: Francisco de Assis. Seu nome remete imediatamente a três outros significados, pelo menos:

- ao da pobreza, que o poverello (o pobrezinho) de Assis declarou sua irmã inseparável como identificação com o Cristo e com todos os pobres, mendigos e excluídos da florescente economia mercantil dos burgos italianos do século XII e XIII. O papa Francisco reafirma perante toda a Igreja e o mundo o escândalo das desigualdades econômicas e sociais, chaga de nossas sociedades na África, América Latina e Ásia, mas que a crise econômica exportou também para os bolsões de pobreza nos países ricos. Reiterou com o nome escolhido e seu exemplo de vida, a evangélica opção preferencial pelos pobres assumida pela Igreja da América Latina na sua jornada de Medellin (1968) e Puebla (1979) e reiterada nas Conferências gerais do episcopado latino-americano de Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007);

-  ao do santo proclamado patrono da ecologia, por seu amor e paixão, enternecimento e cuidado para com todas as criaturas: do irmão sol, que clareia o dia, à irmã lua, que ilumina a noite;  da irmã água, útil e humilde, preciosa e casta, ao irmão fogo, belo e alegre, vigoroso e forte.

Em tempos de grave crise ambiental, que a sobre exploração dos recursos naturais e o aquecimento global só fazem agravar, o papa Francisco pede, em comunhão com o poverello de Assis por nossa irmã terra, que nos sustenta e governa, produz frutos diversos, flores e ervas.

- Francisco de Assis, em plena convocação pelo Papa, em nome de Deus, para que a cristandade saísse em cruzada contra os muçulmanos, para libertar os lugares santos na Palestina, rejeita o caminho da guerra e vai como embaixador de paz até o sultão do Egito. Propôs que entre cristãos e muçulmanos houvesse respeito mútuo e a busca comum pela paz. Esse gesto franqueou aos franciscanos o livre acesso aos lugares santos na terra de Jesus. Seguem ali nessa região das mais conturbadas do mundo, de maneira ininterrupta nos últimos 860 anos. Tornaram-se os guardiões desses lugares sagrados para os cristãos: da anunciação em Nazaré, à gruta dos pastores em Belém; do presumido local do sermão das bem-aventuranças ao Tabor da transfiguração.

Papa Francisco sinaliza com seu nome, para o compromisso evangélico e espiritual da franciscana fraternidade e sororidade com as irmãs e irmãos muçulmanos, num persistente e paciente diálogo em favor da cooperação e da paz.

 

 
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