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HOMILIA DE DOM FRANCISCO BIASIN.

HOMILIA PARA A MISSA DA 31ª ROMARIA DO TRABALHADOR(A) E 24º GRITO DOS EXCLUÍDOS

Resultado de imagem para romaria dos trabalhadores em aparecida 2018

Hoje, dia 7 de setembro, data comemorativa da independência do Brasil, realizamos em todo país o 24º Grito dos Excluídos que, este ano, tem como lema “Desigualdade gera violência: BASTA DE PRIVILÉGIOS!” e como tema “Vida em primeiro lugar”. Com este ato queremos chamar a atenção da sociedade para a questão da desigualdade social, cada vez maior, entre poucos que acumulam enormes fortunas e os milhões de pobres e despossuídos. De fato, o sistema em que vivemos não permite que a vida esteja em primeiro lugar, porque privilegia o capital. Assim, o Grito se constitui num espaço onde as pessoas possam atingir forças e ter capacidade de lutar pela mudança, através da organização, mobilização e resistência popular.

Concomitantemente realizamos a 31ª Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras que

este ano tem como lema: “O povo trabalhador, com esperança fé e ação, derruba  o sistema de maldade e exploração”.

Celebramos esses dois eventos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, que nunca foi submissa diante das maldades, pelo contrário é apresentada a todo o povo cristão como sinal vivo de esperança. Na liturgia da sua Festa, celebrada no dia 12 de outubro, na proclamação da primeira Leitura, o Apocalipse apresenta um grande sinal no céu: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de 12 estrelas na cabeça. É grávida, prestes a dar à luz um filho. Diante dela um dragão cor de fogo, pronto a engolir o filho logo que nascesse.

Deus está do lado da mulher, da vida, da luz, da justiça e do bem e salva a mulher grávida levando-a para o deserto, lugar de intimidade com Deus, enquanto do lado do dragão estão a morte, as trevas, a injustiça e o mal. Trata-se de dois  mundos, de duas concepções da humanidade, antagônicas e em luta entre si. Jesus no evangelho de hoje fala de roupa nova que rasga a roupa velha, de vinho novo que estoura os odres velhos e Paulo define este antagonismo como luta entre o homem novo e o homem velho. É uma luta que nunca termina.

Não é de se estranhar, portanto, que também nos nossos dias entre o velho e

o novo presentes na nossa sociedade haja embates fortes e que a desigualdade social, que está crescendo a cada dia, seja a expressão de um poderoso investimento que favorece poucos privilegiados, tirando cada vez mais direitos e dignidade a uma enorme parte de cidadãos privados assim de ter acesso aos bens fundamentais da vida humana e de uma sadia convivência social. “Uma grande camada da sociedade vive à margem da nossa sociedade, sem direito à moradia, à alimentação adequada, à saúde, à educação, ao trabalho, a uma velhice serena, etc. Enquanto tivermos uma parcela da sociedade que passe por essas situações, há sentido sim o Grito dos Excluídos: ainda que alguém entre eles não tenha condições de gritar, os seus irmãos devem gritar por ele”. (Dom Vieira dos Santos).

A população do Brasil hoje não precisa mais que lhe deem voz, mas sim, os ouvidos. Os pobres querem falar e serem escutados, compreendidos. Fora do estigma de “coitados”, as pessoas em situação de risco social se veem como sujeitos ativos, aptos para o exercício da cidadania.

Sem dúvida entre os Excluídos encontram-se os milhões de cidadãos, homens e mulheres que perderam o emprego e muitos que experimentam a instabilidade no trabalho provocada pela nefasta reforma trabalhista. A esse respeito falou o Papa

Francisco aos representantes dos Movimentos Populares no Vaticano: “Não existe pior pobreza material...do que a que não permite ganhar o pão e priva da dignidade do trabalho. O desemprego juvenil, a informalidade e a falta dos direitos trabalhistas não são inevitáveis, são o resultado de uma prévia opção social, de um sistema econômico que coloca os lucros acima do homem. Se o lucro é econômico, sobre a humanidade ou sobre o homem, isso é o efeito de uma cultura do descarte que considera o ser humano em si mesmo como um bem de consumo, que pode ser usado e depois jogado fora” (Vaticano 28-10-2014).

Nunca como em tempos de instabilidade política e econômica a palavra “sonho” adquire um profundo significado, pois, além de um desejo pessoal, sonhar pode se tornar, e de fato está se tornando, um movimento coletivo por mais conscientização dos direitos.

Uma pessoa que dá asas a este grande sonho coletivo é o Papa Francisco: “O futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem e também nas suas mãos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança. Estou convosco. Digamos juntos do fundo do coração:

Nenhuma família sem teto; Nenhum camponês sem terra; Nenhum trabalhador sem direitos; Nenhum povo sem soberania; Nenhuma pessoa sem dignidade; Nenhuma criança sem infância; Nenhum jovem sem possibilidades;

Nenhum idoso sem uma veneranda velhice.

Continuai com a vossa luta e, por favor, cuidai bem da Mãe Terra” (Bolívia 09/07/2015).

Meus caros irmãos, minhas amadas irmãs, daqui a um mês acontecerão as eleições gerais. Num cenário político indefinido e imprevisível, como talvez nunca tenha acontecido na história do nosso país, é de se perguntar qual seja a atitude política correta, inspirada no evangelho de Jesus, que deveria caracterizar candidatos e eleitores.

Nesses dias encontrei uma parábola escrita por um homem que assumiu a vida dos últimos, tornando-se um deles, morador de rua: irmão Henrique, peregrino da Trindade, cujo título é “Deus na Rua”. Diz assim:

 

Deitado no seu papelão no meio da noite, Deus acordou com a chegada de um grande grupo oferecendo sopa e café. Além das pessoas que todo sábado vinham, havia outras ao redor de um homem de camiseta polo. Ele fazia questão de apertar as mãos como se conhecesse a todos, enquanto outras pessoas da sua comitiva anotavam nomes, pedidos e distribuíam propaganda.

Saíram como chegaram: sem dar importância a quem estava ou ficava na calçada.

A reação do povo veio logo depois dos carros se afastarem:

-  “Esses políticos não prestam! Só vem com suas promessas antes das eleições!

-  Mas ao menos esse veio! Pior é nem aparecer! Na hora de votar, ao menos conheço o nome dele…

-  E suas mentiras e promessas falidas junto!!!

-  Que nada! Anotou meu pedido e disse que viria entregar antes das eleições!

-  Por isso que não voto!!! De que adianta se for comprado?” acrescentou outro.

A confusão estava formada. Deus percebeu que a situação podia explodir num segundo.

Foi quando o poeta se levantou e começou a improvisar e declamar:

 

“Não nos falem mais de políticos Que só deixaram atrás deles Nomes de ruas e praças

Egos inflados, vazios de gente…

 

Deixaram por herança Um Mundo sem esperança Promessas perdidas

E vidas feridas…

 

Deixem-nos sonhar…

Com um presidente sem privilégios Com um candidato por amor

Com um servidor, só de avental…

 

Deixem-nos acreditar… Na canção na escuridão Na aurora de madrugada

No amor, atração universal

 

Deixem-nos viver… Uma vida feliz, Simplesmente feliz… Deixem-nos viver…”

 

Um silêncio se fez na praça… Deus concluiu:

“Não se calam os poetas… profetas…

Que o Amor seja a maior atitude política!”

 

Estamos na casa da Mãe Aparecida, a Virgem que sabe ouvir, a Mãe que nos acolhe com amor.

Que ela nos ensine a mais importante lição de vida do seu filho Jesus: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim!”. (Jo 13,1b)

Que o amor seja a maior atitude não só sentimental, nem apenas religiosa, mas que perpasse toda a política, tornando-nos todos e todas protagonistas na construção de um Brasil “Pátria Amada”.

 

Amém!

 

Aparecida 07 de setembro de 2018

 

+ Francisco Biasin

 
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