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PO Nacional participa de Encontro Latinoamericano e Caribenho

  

PASTORAL OPERÁRIA PARTICIPA DE ENCONTRO LATINOAMERICANO E CARIBENHO DA PASTORAL DO MUNDO DO TRABALHO

 

Nos dias 02 a 04 de outubro aconteceu em Bogotá, na Colômbia, um encontro entre 9 países sobre a Pastoral do mundo do trabalho, com base na Encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, organizado pelo Conselho Episcopal Latino Americano - CELAM.

Entre os países da América Latina e Caribe estiveram presentes: Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Honduras, México, Perú, Republica Dominicana e Venezuela.

O encontro estruturado a partir da metodologia Ver – Julgar – Agir, iniciou explorando uma análise da realidade continental sob a ótica do mundo do trabalho. O Pe Eliécer Soto abordou esse tema sob três perspectivas: trabalho, trabalhador e emprego.

O trabalho remunerado e não remunerado é imprescindível para a dignidade humana, é chave da questão social e pilar da riqueza econômica. Na América Latina, dos 59% de trabalhadores remunerados, 38% são de homens e 21% de mulheres. Nos 41% de trabalho não remunerado, 10% são de homens e 31% de mulheres.

O encontro chamou atenção para a exploração dos trabalhadores, com trabalhos forçados, não ou mal remunerados, realizados também por crianças e adolescentes. Em 2015 haviam 165 milhões de crianças em situação de trabalho infantil (não adequado a sua idade e realidade) e 21 milhões de pessoas em trabalhos forçados (análogo a escravidão), destacou o conferencista.  

No campo do emprego o que chama atenção na América Latina e Caribe é a disparidade salarial entre homens e mulheres. O fato de ter o maior número de mulheres em cargos superiores está vinculado ao baixo salário que é pago para as mulheres. Há que observar uma redução do emprego pleno e crescimento do emprego precário. Em 2015, as mulheres eram responsáveis por 52% do trabalho mundial. Dos 59% de trabalhadores remunerados as mulheres representavam 21% e os homens 38%. Entre os 41% de trabalhadores não remunerados, 31% eram das mulheres e 10% dos homens.

Os participantes destacaram, também, a problemática do trabalho informal, a dificuldade de organização dos trabalhadores, as amplas jornadas de trabalho, a formação dos trabalhadores para o sistema capitalista e não para o cooperativismo ou a economia solidária. Lutamos para garantir trabalho e direitos laborais dentro do sistema, mas não conseguimos mudar o sistema.

O que a igreja diz sobre essa realidade?  Como é a igreja que o Papa Francisco quer? O Papa em sua Encíclica Laudato Si, retoma a importância da “supremacia do trabalho sobre o capital” (LS, 276) e não o domínio do capital sobre o trabalho. Destaca o trabalho decente como essencial para a dignidade de todo homem e mulher, e a organização de trabalhadores, de modo que sejam respeitados em sua dignidade humana. Que o salário permita satisfazer as necessidades humanas. “Chega de muro para o povo pobre e portas abertas para transnacionais que exploram e destroem o meio ambiente”, destacou Elvy Manzant, o conferencista e secretario do Conselho de Justiça e Paz do CELAM.

O Papa Francisco ainda destaca a subjetividade do trabalho humano. “Qualquer abordagem de ecologia integral que não exclua o ser humano, é indispensável incluir o valor do trabalho” (LS, 124). Num discurso em Genova, no Encontro com o Mundo do Trabalho, o Papa Francisco chama atenção: “ao redor do trabalho, edifica-se o inteiro pacto social. Este é o núcleo do problema. Porque quando não se trabalha, ou trabalha-se mal, pouco ou demasiado, é a democracia que entra em crise, todo o pacto social”. Para o Papa “deve ser claro que o verdadeiro objetivo a alcançar não é a «renda para todos» mas o «trabalho para todos»!”.

Acesse o discurso completo do Papa Francisco no encontro do mundo do trabalho em Genova.

A distância entre a realidade e o sonho da igreja, motivada pelo Evangelho e a Doutrina Social da Igreja, acrescidos pelas partilhas de experiências riquíssimas nos interpela. Após experiências de organização de trabalhadores, de economia solidária, de crianças e adolescentes trabalhadores, saímos com um enorme desafio para o conjunto da América Latina.

São desafios levantados no conjunto dos países:

ü  Recuperar o sentido, a dignidade humana e a centralidade da pessoa no trabalho e não no capital;

ü  Transformar condições de trabalho precário e “anti social” e trabalho decente/digno;

ü  Assegurar o reconhecimento do real valor de todo trabalho [cultural, social, efetivo];

ü  Promover a economia solidária, o cooperativismo;

ü  Assumir os desafios presentes no mundo do trabalho corroído: a mulher trabalhadora, a juventude trabalhadora, as crianças e adolescentes trabalhadores;

ü  As organizações sindicais e associações de trabalhadores devem recuperar a ética e a centralidade no trabalhador/a

ü  Promover a equidade e a qualidade do trabalho e a oportunidade de acesso, em dimensões de gênero, etnias, migrações e mobilidade humana;

ü  Recuperar o valor e o sentido do trabalho formal, provedor de direitos social e econômico, como erradicação do subemprego.

ü  Atuar de modo organizado frente a problemática da migração;

A Igreja tem o grande desafio de auxiliar na organização dos trabalhadores e na construção de um projeto comum da classe trabalhadora, pautada pelos princípios do bem comum, da espiritualidade do trabalho como elemento de dignificação do ser humano, e sua Doutrina Social.

Delegação do Brasil e apoio de Dom Reginaldo

A Pastoral Operária partilhou nesse encontro sua análise sobre a realidade do mundo do trabalho e suas experiências de atuação no Brasil. Dom Reginaldo Andrietta, Bispo Referencial da Pastoral Operária Nacional, contribuiu com a reflexão sobre pedagogia de formação de novas lideranças. Suas palavras sobre Cristo, dirigidas a todos os participantes na missa de abertura que ele presidiu, foram significativas: ”A identidade libertadora de Deus se manifestou plenamente em Cristo, o Verbo encarnado (cf. Lc 4,16-21). Este assumiu a condição de escravo, isto é, de trabalhador do seu tempo (cf. Fl 2,5-11), adentrando a realidade de morte gerada sobretudo pelo trabalho opressor, para resgatar os oprimidos e dar-lhes vida. O próprio Jesus o diz: ‘O ladrão vem só para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância’ (Jo 10,10).”

Diversidade de experiências

São múltiplas as experiências pela América Latina de Pastoral do Mundo do Trabalho. Desde organizações de trabalhadores, empresas, economia solidária, sindicatos, cooperativas, crianças e adolescentes trabalhadores, jovens trabalhadores. Alguns experiências foram apresentadas, tais como:

A CECOSESOLA na Venezuela e uma rede de empresas, trabalhadores e cooperativas, que se articula 120 mil famílias em atividades de produção e comercialização. O trabalho realizado no Peru com crianças e adolescentes trabalhadores, inspirado e motivado, sobretudo pela Juventude Operária Cristã (JOC). No México há um movimento de empresas com Selo de aplicação da Doutrina Social da Igreja. No Chile, o Vicariato para as Pastorais Sociais e Caritas mantém um site com informações sobre o mundo do trabalho, trabalhadores e sindicatos, inspirado no pensamento social da Igreja.

O Brasil apresentou sua organização de trabalhadores e os eixos de atuação da Pastoral Operária, bem como a Campanha Contra Acidentes de Trabalho e o Desemprego realizada no Estado de São Paulo. Estiveram presentes representando o Brasil: Francismarina Vale e Jardel Lopes da coordenação nacional e Dom Regnaldo Andrietta, Bispo Referencial da Pastoral Operária no Brasil.

 

 

 

 
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