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UM CERTO PADRE GERALDO LIMA

 

 

Testemunho de Antonio de Paula

Ex-militante da JOC de Belo Horizonte – MG

Foi coordenador nacional e internacional da Juventude Operária Católica (JOC)

Reside e atua em Campinas – SP
Resultado de imagem para padre geraldo Lima
 

Conheci o Geraldo Lima, em 1980, durante uma visita dele, como Assessor Nacional da JOC, em Belo horizonte. De lá para cá, Geraldo chegou e ficou. Passaram-se trinta e oito anos de uma amizade mútua e para mim muito necessária. Domingo passado, numa noite de insônia, às quatro horas da manhã, recebi o anúncio de que Geraldo tinha partido... Tentei “racionalizar” a informação mas nessas horas “o coração bate uma a outra falha”.

Nunca consegui chamá-lo de padre. Geraldo viveu o sacerdócio, onde o “ser sendo” se fazia vivamente presente. Muito diferente de religiosos (as) que, numa escala medieval, compreendem a designação do ofício como algo mais importante do que o exercício, caracterizando assim, uma cultura onde o ser religioso faz parte dos títulos honoríficos como daqueles(as) que detém o poder.

Geraldo exerceu seu sacerdócio para e com os(as) empobrecidos(as). Parece-me que ele não se sentia confortável em palácios, hotéis cinco estrelas e restaurantes da “Granfinagem”. Sempre o encontrei rodeado dos(as) “Sem”: Sem teto, sem emprego, sem terra, sem saúde, sem afeto, sem justiça,  sem liberdade!  Aí, ele estava “em casa”. Imensa era a entrega e a generosidade de seu coração. Sua amorosidade, no sentido definido por Paulo Freire, levava-o a “ir por inteiro”. E, por vezes, levava algumas “pegadinhas” de quem abusava de sua generosidade. Em outros momentos também cometia erros e, com toda humildade, dizia “acho que pisei na bola”, mostrando sua sensibilidade em não ferir um(a) irmão(ã).    

Ele tinha um encantamento e a alegria coma a realização do(a) outro(a). Certa vez nos contou a história da Jurema, jovem trabalhadora que vivia em uma das favelas do Rio de Janeiro. Jurema começou a participar dos grupos da JOC e pouco a pouco foi descobrindo o seu valor, alterando sua postura pessoal diante da vida e em relação a outras pessoas. Então, amigos(as), e familiares passaram a perguntar se ela estava fazendo alguma faculdade. E toda afirmativa, Jurema dizia, “não, eu entrei e sou militante da JOC.” Durante sua narrativa, o brilho no olhar do Geraldo, articulado com a manifestação de seu corpo, demonstrava seu contentamento e satisfação com as descobertas de cada um(a) jovem trabalhador(a). Sempre afirmou que quem o sensibilizou e “seduziu” para trabalhar com a JOC e a juventude trabalhadora foi o Padre Agostinho Pretto.

Em outro momento, após uma visita à cidade de Osasco, SP, ele relatou o aparte que fez de uma briga entre dois trabalhadores: um certo domingo, um boteco e um clássico do futebol paulista e torcedores de times diferentes. Os dois trabalhadores começaram a discutir futebol e o caldo engrossou para ofensas pessoais e agressão física. Cada um se armou de um facão e, como na música do Gonzaguinha, “se puxou do punhal, tem que sangrar”. Nestas horas, “chama o Padre”. E lá vai Geraldo na “loucura de seu sacerdócio”, apartar a briga. Conseguiu. E assim como nas celebrações que tem o abraço da paz, os dois tiveram que se abraçar entre choros e juras de amizade eterna!

Geraldo era muito atento e cuidadoso com as necessidade dos(as) trabalhadores(as) Esta atitude fazia- o, muitas vezes, pioneiro no apoio a possibilidades novas. Assim é que, no início dos anos oitenta, houve uma forte recessão econômica. Os patrões aproveitaram para demitir milhares de trabalhadores(as), até mesmo como forma de enfraquecer o movimento operário em ascensão. Nesta época, ele começou a apoiar e estimular a economia solidária e a organização de cooperativas. Recentemente, estava trabalhando com a Pastoral da Saúde e denunciando os malefícios da indústria fármaco-alimentar. Divulgava os benefícios do sal natural e os malefícios do sal refinado, por exemplo.

Há uns quatro anos estive com o Geraldo Lima na Baixada Fluminense. Ele estava comemorando seu aniversário. Era dia de semana e, para celebrar, escolheu São Tiago, uma das comunidades mais carentes da Diocese de Nova Iguaçu, onde ele havia trabalhado por alguns anos. Nessa noite, o apreço, o compromisso a solidariedade e a partilha se fizeram presentes. Aquela gente humilde recebia alguém que a motivava a colocar sobre a mesa o que tinha de melhor. Ouvi histórias sobre as “peripécias“ do Pe. Geraldo e seu fusquinha velho, escangalhado que a todos(as) servia.

Recentemente, um amigo lembrou-me um dos sentidos da palavra companheiro: aquele(a) com quem se reparte o pão. Bem assim era o Geraldo. Em vida, ganhou o título e o reconhecimento de COMPANHEIRO. Como um raio de sol que rasga a obscura noite, para muitos (as), Geraldo tornou-se o anúncio de novo e solidário amanhecer, às vezes, em detrimento de sua precária saúde e outras necessidades.

Partiu Geraldo e... Geraldo fica. Em nossos corações, memórias e lutas ficam para sempre! Digo que a urgência de seu coração e de sua luta era a “busca da realização do Reino Prometido na Terra”. Digo também, nós que lutamos por uma nova sociedade de justiça, igualdade e fraternidade, temos muito que aprender com o exemplo de vida desse belo companheiro, sacerdote Geraldo Lima.  

 Texto de Antonio de Paula,
Campinas-SP. 
 
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