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CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018

 

  

A superação da violência passa pela superação da desigualdade.

Jardel Lopes¹

  A Campanha da Fraternidade [CF] em 2018 trata de um tema muito pertinente na sociedade como um todo. Na pesquisa de análise da realidade que a Pastoral Operária desenvolveu nas suas bases [grupos de base] durante o ano de 2017, uma das perguntas abertas era: Quais os principais problemas da comunidade/bairro em que você mora? A maioria das respostas trouxeram como problemas: falta de segurança e/ou violência. Uma coisa está atrelada a outra.  

Há três principais motivações para a igreja propor esse tema em discussão com a sociedade: (i) os índices de violência: o Brasil é responsável por 13% da taxa de homicídios no mundo. Isso representa quase 60 mil assassinatos por ano [59.627 mortes em 2014 – dados do Ipea].  Nesse índice há um destaque para o feminicídio [enquanto a taxa homicídios de homens é de 8%, o de mulheres é de 17%. (ii) o aumento dos aparatos de segurança privada: as pessoas fazem de tudo para protegerem suas casas, com cercas, muros altos, alarmes, seguranças particulares. Com isso cresce a indústria bélica no Brasil. Somente em 2014 movimentou mais de 200 bilhões [4% do PIB]. Por outro lado, a bancada sustentada [eleita] pela indústria do armamento [bancada da bala] corresponde aproximadamente a 30% dos parlamentares brasileiros]. (iii) o isolamento da sociedade: o medo do outro e da outra que aparece diferente na rua, faz com que o individualismo tome posse cada vez mais das pessoas, o fechamento no “seu mundo”, fortalecendo ainda mais o preconceito [sobretudo em relação à cor negra], estigmatizando os territórios periféricos [favelas], bem como afetando a dimensão da comunitariedade, a cultura do encontro, o que para os cristãos é parte da sua essência.

            A igreja nos aponta ainda para questões estruturais da violência. Classifica como institucional, aquele tipo de violência que não é visível pela agressão direta, mas, que se sustenta por meio dos processos de organização da sociedade, como por exemplo: o modo de produção [relação capital X trabalho], as relações sociais, o modelo de justiça, o sistema de corrupção, a desigualdade socioeconômica, entre outras. Enfim, toda violação gera uma violência. E nossos sistemas político e econômico são os maiores violadores de direitos no Brasil [por meio de sonegação de impostos, negação de direitos, não distribuição de renda, escravização, preconceito, etc].

A violência do mundo do trabalho passa pelas condições insalubres, condições análogas à escravidão, salário baixos e jornadas exaustivas, acidentes de trabalho, a disparidade salarial entre homens e mulheres; e o modo institucionalizado é a terceirização, a reforma trabalhista recente, o desemprego. Portanto, a violência do mundo do trabalho, seja o modo de produção ou o mercado, é parte constitucional da violência estrutural, ou institucionalizada. E a superação da violência passa de certa forma pela superação da desigualdade social, da desigualdade de classe, visto que a classe trabalhadora é explorada/violentada e a classe patronal, burguesa, o mercado financeiro, são protegidos, concentram riquezas, exploram, e ainda tem toda estrutura do estado do seu lado. Deste modo, outra característica é a violência cultural, a qual naturaliza/legitima processos de violência, de modo a culpabilizar a vítima pela agressão sofrida.  

            Por fim, a superação da violência tem a ver com a superação do modelo do sistema econômico e político, a superação desigualdade social, racial, gênero e de classe [os pobres, negros e mulheres são quem mais morrem]. Deste modo, a CF é uma oportunidade/convite em comunhão/unidade com o Papa Francisco que nos interpela: “pode-se entender o pedido de Jesus aos seus discípulos: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6,37), que envolve tanto a cooperação para resolver as causas estruturais da pobreza, promover o desenvolvimento integral dos pobres, como os gestos mais simples e diários de solidariedade para com as misérias muito concretas que encontramos”. (...) A desigualdade é a raiz dos males sociais”. (EG, 188; 202).

            A superação da violência exige de todas as pessoas de boa vontade, o esforço para superar as causas estruturais da desigualdade. A luta pela efetivação de políticas públicas, a garantia do acesso ao direito, a construção de novos direitos, a criação de alternativas de trabalho, passam pela organização popular, pelo trabalho em rede, e o sonho da construção de um mundo junto.

 

1. Na região ou estado quem são os/as parlamentares que representam a indústria do armamento?

2.  Os lugares onde concentram os principais alvos da violência em sua região, tem acesso a todas as políticas públicas de direito?

3. Que organizações sociais você conhece que lutam pela superação das causas estruturais da desigualdade?

 


[1] Mestre em Teologia, Coordenador da PO nacional. 

 
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